22.1.12

Atravessar a Cordilheira dos Andes por terra me fez perceber que eu, que sempre vivi entre as montanhas, nunca soube o que era uma realmente impressionante.

Minha primeira visão foi pela janela do hotel, pela manhã. Tinha um ponto branco, pequeno, sutil, quase invisível, que tentei inutilmente fotografar. Quando saímos com o guia para conhecer a cidade eu não acreditei no que via: um vulcão com muita neve. Chorei. Meu fetiche de viagem infantil era um vulcão, meu fetiche de viagem adulta é a neve. No dia seguinte entramos nas Cordilheiras. Tirei cerca de 400 fotos só na travessia, que durou mais de 10h, já que a aduana do Chile nos prendeu por umas 4h e meia! As cores são lindas, as formas são lindas, as texturas são lindas... A Cordilheira pertence àquele grupo de coisas em que é impossível descrever com palavras, com gestos, como for. Absolutamente lindo.

13.11.11

só falta te querer, te ganhar e te perder...

Ele me vem a cabeça toda hora. O rosto dele muito perto, muito perto. Me vem a cabeça o sorriso dele me olhando quando eu saí na portaria do prédio, ele dizendo que já queria muito, a muito tempo... Me vem a cabeça toda hora a visão dos olhos dele fechados enquanto eu mexia, feito criança, na sua barba. “Você gosta? Mesmo?” Eu gosto de barba, gosto da barba dele, gosto de poder abraçar e falar que é foda beijar o cara mais interessante da faculdade. Ele cora, não tem a amplitude da sua boniteza.


Eu tento escrever outras coisas, tento pensar em outras coisas, mas não tenho conseguido.
“Nem sei se era melhor nunca ter ficado com você do que ter experimentado e agora não poder mais.” Um namoro desses estranhos que se assemelham a janelas, abrem e fecham de forma que eu não compreendo. Fechou e ele, como o bom moço que eu sempre imaginei mesmo que fosse, não me abraçará mais, não me beijará mais, não me ligará mais porque não pode fazer isso, porque se o namoro é fechado, é fechado. “Eu prefiro ter experimentado”, respondi, "e sinto inveja dela".


Foi breve. O conheço desde o ano passado, converso com ele desde o início do ano, encosto nele desde o meio do ano, penso nele quase diariamente a mais de um mês. Convidei ele pra sair na segunda e ele se despediu de mim na quarta.


Se eu preferiria que nunca tivesse acontecido? Jamais. A minha felicidade de terça-feira anula toda, ou a maior parte, da tristeza de quinta.

6.11.11

21 out 2011 - eu invejo aquelas fotos

Não significa nada. Ele se encosta em mim pra falar, se encosta em mim muitas vezes. Passa a mão nas minhas costas, sorri largo. Não significa nada. Lembro a todo instante que ele tem namorada, e ela é bonita, magra... o facebook faz parecer que é. Não crio esperanças nem espectativa de nada. Mentira, adoraria ser agarrada. Ele só quer de mim o que todo homem quer de uma mulher, de qualquer mulher: sexo. Eu daria, mas sem garantias de que não me apaixonaria depois. Ele passa aquela barba negra e fechada no meu ouvido pra falar baixinho. Eu morro, digo que sinto nervoso. Nervoso!!! Falo de ex-namorado e ele diz que, se for bravo e vingativo ele vai ter que pensar antes de tentar alguma coisa. Cantada de leve? Talvez algumas palhaçadas que não sei, absolutamente não sei, se tem qualquer porquê de seriedade. Acho ele o cara mais interessante da faculdade já faz algum tempo. Ele é, outras também acham. Hoje ele tava com os olhos inchados de quem acordou tarde, cheiro bom de quem tomou banho antes de sair... Ele chega muito perto e eu fico inerte. Não sei como reagir bem a tamanha boniteza.

27.7.11

berinjela, bócolis e couve-flor

Hoje está especialmente difícil. Fazer dieta pode parecer fácil ou engraçado pra algumas pessoas mas, pra mim, é uma das coisas mais difíceis que existe.
Eu sou doente, penso em comida o tempo todo, principalmente quando tenho que escolher e separar meticulosamente cada item que será ingerido.
Eu sou doente e meu colesterol sobe com facilidade, minha glicose também e minha insulina desregula como uma estação de rádio ao subir a serra.

Fiz minha primeira dieta aos 9 anos. Minha dieta mais punk aos 19 e a mais eficiente aos 28. Essa vinha se mantendo, com total cara de reeducação alimentar (apesar de a perda de peso ter parado, não tinha voltado a engordar) até minha mudança de casa, de menina solitária em um apartamento single a um quarto na casa das primas. Isso se juntou a uma mudança grande na faculdade, o início do estágio obrigatório e as 420 horas que tenho que cumprir no CAp UFRJ. Logo, a preguiça se juntou a falta de tempo e me fez voltar a comer pão à noite, biscoitos durante o dia trocar almoço por sanduiche... 5 quilos em 1 mês e meio, “Você teve um ganho de peso muito rápido, isso é preocupante!”, foi gentil a minha médica-endocrinologista-diabetóloga. Eu merecia um esporro daqueles, mas ela sabe que não adiantaria.
Então cá estou, indo para a academia todos os dias e comendo apenas 4 biscoitos agua-e-sal no lanche da tarde. Sem poder comer banana a vontade ou uma graminha sequer de açúcar.

Hoje está sendo especialmente difícil. De TPM e sem poder comer chocolate, não há tangerina que substitua. Mas eu sou forte. Das tristezas que posso “endireitar”, faço o que for preciso, analise pra não ser mais depressiva e dieta pra deixar de ser depressiva também por ser gorda.

6.7.11

Um mês de amor platônico desfeito. Eu conto um mês com uma menstruação, uma crise horrenda de TPM, e muitas vontades de fazer tudo diferente. Um mês é muito tempo, passou. Ouço aquelas musicas que fazem sentido no rádio e nem mudo mais de estação... eu curo rápido, me curo rápido, e até sorrio quando penso que vou gostar dele pra sempre, porque os amores que me atravessam não saem de mim nunca, e eu não quero mesmo que saiam.

3.6.11

23:45

Quando vai chegando a hora de dormir fica bem pior. Durante o dia eu vou à aula, brinco com as crianças, leio textos, entrego resenhas... na hora de dormir dói, e dói dor mesmo. O peito aperta e tenho a impressão de que deveria tomar algum remédio, mas logo lembro que já vai passar...

Antes, pouquinho antes de o meu sono chegar, ele costumava vir, eu já de olhos fechados e ele beijava minha nuca, bem perto dos cabelos. Eu me virava para ele e nos olhávamos bem de perto. Então eu passava a mão no seu cabelo por alguns minutos e dormia. Ele estava sempre aqui, em algumas semanas três ou quatro dias, às vezes ficava mais de um mês sem vir. Nesse um ano, ou pouco mais que isso, eu tive alguns amores-relâmpagos, tive um namorado que não consegui amar, beijei caras que nunca mais vi e o tive permeando minha cabeça, oras mais, noutras menos.


Desiludir é uma palavra muito forte, não foi isso. Foi um desvelar. Eu recebi um não doce e delicado. Ele me deixou passar a mão nos seus cabelos em troca de ouvir detalhes do meu amor platônico. E contei. Contei que ele atrapalhou, em parte, meu namoro mal sucedido, contei que quando o esquecia um pouco, ele me aparecia em sonhos, contei que morri de inveja uma vez que vi uma mulher passando a mão no seu cabelo e contei o quanto me sentia patética com um amor platônico aos 30 anos. Ele ouviu tudo, envaidecido, por mais que dissesse que não, e fez o discurso clássico: não, agora não. Eu, da melhor forma que sei fazer, ironizei a minha dor e instituí que aquele seria então meu último dia para gostar dele.

Me deu carona de taxi, me deixou deitar no seu ombro e fazer carinho na sua mão. Me abraçou. Foi nossa despedida. Ele não sabe que bastaria me dar um beijo, que eu sou da roça e ando a paços lentos. Foi difícil, mas deixei pra chorar em casa, as duas e tal da madrugada, sentada na sala sem conseguir sequer trocar de roupa e dormir.

Desvelar é a palavra, tirar o véu, revelar.

Agora é só esperar que a dor passe logo pra poder olhar isso tudo com o distanciamento necessário pra achar que foi tudo uma história linda, um romance anos 50 perdido nos dias atuais.

26.5.11

“Na inalguração do galpão – Festa; no morro tudo vira festa, com comida... Posso me lembrar da Henriqueta, ceramista lá do morro, numa festa de São João. Nos estávamos dançando, eu e ela, pulando e, ela olhou pra mim e disse: Isto é que é vida!”. Eu nunca vou esquecer disso...”

Depoimento de Celeida Tostes à Regina Célia Pinto no livro que leva seu nome.


Hoje amanheci lendo uma dissertação de mestrado que, em certo momento, relata acontecimentos no morro Chapéu-Mangueira... Comecei escrevendo assim porque fui lendo e pensando que minha família festeira se comporta com felicidade de gente de morro. Talvez só não o sejamos porque, felizmente, algum antepassado suíço, escravo, índio e/ou italiano decidiu não deixar a serra para morar perto do mar, na “cidade grande”.
Lendo os relatos de afastamento às festas costumeiras, por qualquer motivo, e sempre com pessoas dançando felizes, pensei que não sei o que é não ser assim, não dançar quando tem música ou não se reunir quando uma coisa boa acontece.
Eu posso reclamar de muitas coisas na minha vida, posso e reclamo, mas nunca de ter nascido nessa família. A gente erra bastante, briga, se chateia... mas a gente é família de morro, literalmente, e nos reunimos por qualquer motivo, colocamos música, dançamos e ainda acreditamos que, nesses momentos, “isso é que é vida”!

25.5.11

"é tão difícil olhar o mundo e ver o que ainda existe..."

Eu gosto dele mais do que ele possa imaginar. Talvez mais do que eu continue a imaginar. Gosto com o corpo todo, gosto com os pelos que arrepiam nos meus braços quando sinto frio pelo vento que entra na janela do taxi. Ele sente calor. Gosto com o ponto do braço que ele cutuca cada vez que quer mais atenção. Gosto com o dorso da mão que ele toca me dizendo pra comer mais um pão de queijo. Eu gosto dele de branco, mas hoje de azul estava lindo. Eu gosto dele cada vez que se cala pra me ouvir tagarelar, gosto porque ele me faz tremer e não deixar de ser eu... eu gosto porque gosto, porque gostar não tem porquês. E continuo a gostar mesmo quando ele me conta histórias bizarras de ex-namoradas, em total tom de confissão, e continuo quando me arrependo de uma piadinha mal sucedida, e ainda quando ele me abraça e diz que gosta muito de conversar comigo, muito mesmo, e vai embora sem me beijar, mais uma vez...

18.5.11

"Eu não sei dançar tão devagar..."

Mantenho, mesmo sem atualizações frequentes, esse blog a alguns anos. Por quê? Eu também não sei bem responder. Os amigos vão se desfazendo dos seus e eu permaneço aqui, sem leitores, mas escrevendo angustias, alegrias, desafetos e tudo mais que der vontade.

Já me dei conta que não escrevo por leitores ou por popularidade na rede. Escrevo porque tem que ser assim, porque antes de ter um blog eu tinha cadernos, e antes dos cadernos eu tive cadernetas e bloquinhos, antes dos bloquinhos eu tive agenda e, no início de tudo, eu tive diário. Não deixei o papel porque tenho um blog, assim como nunca vou parar de desenhar com grafite porque sei desenhar no CorewDraw. A grande e fundamental diferença é que o blog está acessível a qualquer um que saiba ou queria procura-lo pra ler.

No início dessa semana um ex-antigo-recente namorado me escreveu dizendo que tinha lido tudo que tem publicado aqui. Talvez nem seja verdade mas, durante nosso turbulento primeiro relacionamento anos atrás, eu quis muito que ele lesse o que eu escrevia sobre ele. Por maldade ou insegurança ele nunca o fez. Agora, após reencontrados e reafastados, só que dessa vez por escolha minha, ele me escreve dizendo que nunca experimentou tantos sentimentos ao mesmo tempo ao ler meus posts. Se isso é bom? Ele não quis dizer. Na verdade, se é que ele leu mesmo tudo isso aqui, leu um pouco tarde. Só espero, sinceramente, que não me rogue uma praga muito cruel!

21.3.11

"meu coração não se cansa de ter esperança de um dia "ter" tudo que quer..."

E se desse pra cantar todas as músicas o mesmo tempo? Todas as boas!

Eu vejo aquele amigo dele e sempre acho que ele pode estar por perto, como na foto do facebook. Ele nunca está.

Eu tenho 20 cm a menos depois da cirurgia, sem septo, sem amigdalas, sem cornetos, sem alguma parte da faringe... Muitos sem e nenhum com.

Escrevi um texto sobre as coisas que gosto, pelo menos sobre as que gostava quando escrevi. Reli outro dia, me faz ser menos triste e lembrar que coisas simples me deixam muito, muito bem.

Já me sinto em agosto, mas pra lá do que pra cá no ano. Tantas coisas aconteceram que mais de meio ano já se passou na minha cabeça.

Ele nunca está perto daquele amigo que namora a menina simpática que fez uma disciplina comigo na faculdade. Ele nunca disse que não me queria, por quê? O cheiro do Parque Lage quinta de manhã me faz sentir saudade de coisas, momentos, olhares, sentimentos, sorrisos e... e dele. Que patético isso, quase um ano de amor quase platônico.